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Uso clínico do óleo de peixe

Dr. Celso Cukier

A associação entre eicosanóides e reação inflamatória atrai pela possibilidade de modular dos efeitos inflamatórios por meio de alterações dietéticas. A modulação destes efeitos têm sido estudada na doença cardiovascular (Schmidt e Dyerberg, 1994), psoríase (Grimminger e col., 1993), cancer (Karmali, 1989 e Rose e col., 1994 e Dagnelie e col., 1994) e condições de infecção grave (Murray e col., 1991 e Palombo e col., 1993).

Doença Cardiovascular:

A suplementação dietética com óleo de peixe promove modificações estruturais da parede vascular e crase sangüínea e menor reatividade plaquetária e leucocitária. Atenuação destes fatores têm sido associada à menores índices de doença cardiovascular (Schmidt e Dyerberg, 1994).
Com a oferta de óleo de peixe entre 3 e 10 g/dia obtem-se rápido efeito hipotrigliceridêmico. O efeito hipocolesterolêmico é observado com doses maiores, entre 5 e 20 g/dia, mesmo em indivíduos com níveis de colesterol normal (Harris e col, 1983).
A suplementação com óleo de peixe na dieta prolonga o tempo de sangramento, inibe a agregação plaquetária e diminui a produção de TXA2 (Sanders, 1984). Os efeitos antiplaquetários parecem ser dose-dependentes, visto que a suplementação de doses mais baixas (1,8g/dia) não produzem os efeitos relatados (Hay e col., 1982).
O óleo de peixe favorece maior deformação dos eritrócitos e diminui a viscosidade do sangue (Woodcock e col, 1994), mesmo com doses baixas (1,4 g/dia). Estes efeitos possibilitam maior oxigenação dos tecidos.
Também têm sido relatados efeitos benéficos sobre a pressão arterial. Dieta baseada em peixe (cavala), contendo de 5 g de w-3 está associada a efeitos hipotensivos (Singer e col., 1984).

Efeitos anti-inflamatórios e imunológicos:

O uso do óleo de peixe pode apresentar efeitos benéficos em psoríase, dermatite atópica e artrite reumatóide. A suplementação de 1,8 g/dia de EPA a pacientes portadores de artrite reumatóide, foi acompanhada de menor rigidez matinal em relação ao grupo placebo (Kremer e col., 1985). A infusão endovenosa de 100 ml/dia de 2,1 g de EPA e 21 g de DHA em 20 pacientes portadores de psoríase guttata com pelo menos 10 % de superfície corporal acometida, atenuou a gravidade da doença em 4 a 7 dias de tratamento. Ocorreu melhora clínica do eritema, infiltração e descamação (Grimminger e col., 1993).

Doença inflamatória intestinal:

Pacientes com colite ulcerativa têm uma resposta inflamatória aumentada em seu cólon. A mucosa colônica apresenta níveis elevados de leucotrieno B4 (Nielsen e col, 1981) em relação à população normal. O uso oral de 2,7g de óleo de peixe em 10 pacientes por oito semanas, reduziu o número de evacuações diárias e melhorou a avaliação sigmoideoscópica em sete pacientes. A dose de corticosteróides pode ser diminuída de 20 para 5 mg (20 a 66%) (Salomon e col, 1990)

Câncer:

A ingestão de gorduras tem correlação positiva com o câncer, especialmente da mama, endométrio, próstata e cólon (Karmali, 1987). A suplementação dietética com óleo de peixe reduz clinica e experimentalmente a 16-a-hidroxilação do estradiol, importante marcador para o risco de câncer de mama (Karmali, 1989). Experimentalmente, a ministração de dieta contendo 23 % de gordura com diversas concentrações de óleo de peixe (5 %, 11,5 % e 18 %) a camundongos, ocasionou menor crescimento de crescimento tumoral e metástases de células de câncer de mama MDA-MB-435, com correlação direta à concentração do óleo de peixe. (Rose e col., 1994).

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