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Disfagia Orofaríngea

Disfagia Orofaríngea

Michele Antunes Germini 1
Tatiana Magalhães de Almeida 2
Silvana M Brito Ruiz 3

 A disfagia orofaríngea é um distúrbio da deglutição, com sinais e sintomas específicos, que se caracteriza por alterações em qualquer etapa e/ou entre as etapas da dinâmica da deglutição, podendo ser congênita ou adquirida, após comprometimento neurológico, mecânico ou psicogênico. A disfagia orofaríngea pode trazer prejuízos ao quadro nutricional e/ou hídrico levando a desnutrição e/ou desidratação e pode interferir no mecanismo de proteção de vias aéreas levando à aspiração e como conseqüência risco para pneumonia aspirativa, além de interferir no prazer alimentar e vida social do indivíduo.

A classificação das disfagias orofaríngeas ocorre de acordo com a etiologia:

  • Neurogênica: causadas por doenças neurológicas ou trauma neurológico.Exemplos: Acidente Vascular Encefálico,Traumatismo Cranioencefálico,Tumores Cerebrais, Esclerose Lateral Amiotrófica , Demências , Parkinson, Esclerose Múltipla,Paralisia Cerebral.
  • ·    Mecânica: ocorre por alteração das estruturas que realizam a deglutição normal ou por anormalidades orgânicas no trajeto percorrido pelo bolo alimentar.Exemplos: Traqueostomia com ou sem presença de cuff, uso de ventilação mecânica,sondas para alimentação,pós intubação orotraqueal e tumores de cabeça e pescoço.
    • Psicogênica: decorrente de alterações emocionais, distúrbios psíquicos primários ou secundários à presença da disfagia, como os quadros ansiosos,depressivos e conversivos.

            Os sinais e sintomas da disfagia são: perda de peso, inapetência, aumento do tempo de duração da refeição e diminuição do volume oferecido, tendência ao isolamento durante as refeições, cansaço durante a alimentação,resíduos alimentares na cavidade oral, halitose, xerostomia, soluço após a alimentação, desidratação , dificuldade para deglutir, tosse, pigarros e/ou engasgos durante ou após a deglutição, refluxo nasal,alteração da qualidade vocal, febre sem causa aparente, complicações pulmonares , dispnéia após a alimentação, ausência ou dificuldade de controle de saliva.

 A avaliação fonoaudiológica identifica os sinais clínicos que permitem o diagnóstico da disfagia e dos riscos de aspiração, bem como os critérios de eficiência ou não da deglutição para a re-introdução de dieta via oral.

O fonoaudiólogo é o profissional que enfoca seu trabalho na avaliação e reabilitação do paciente disfágico, na tentativa de diminuir o risco de pneumonia aspirativa através de uma deglutição eficiente.

A ocorrência de uma deglutição eficiente depende da integridade de vários sistemas neuronais: vias aferentes, integração dos estímulos no sistema nervoso central, vias eferentes, resposta motora, integridade das estruturas envolvidas e comando voluntário, assim como a integridade estrutural do sistema digestivo.

 Bibliografia Consultada:

  1. Filho,E.D.M.; Gomes,G.F. & Furkim,A.M.: Manual de cuidados do paciente com disfagia. São Paulo: Lovise,2000.
  2. Furkim AM, Silva RG. Programas de reabilitação em disfagia neurogênica.     São Paulo: Frôntis Editorial;1999
  3. Fussi C, Romero SB: Disfagia: Desmistificando dúvidas na prática da equipe de enfermagem.In: Magnoni CD, Matsuba CST:Enfermagem em terapia nutricional.São Paulo:Sarvier,2009;1996-219.
  4. White GN, O´Rouher F, Ong BS, Cordato DJ, Chan DK. Dysphagia: causes, assessment, treatment and management. Geriatrics.2008;63(5).
  5. Furkim A M, Santini CR Q S.Disfagias orofaríngeas: volume 1.Pro Fono; 1999.
  6. Furkim A M, Santini CR Q S.Disfagias orofaríngeas: volume 2.Pro Fono; 2008.

 

1 Fonoaudióloga coordenadora do serviço de fonoaudiologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo, Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP.

2 Fonoaudióloga do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo com aprimoramento em Disfagia Orofaríngea pelo HCFMUSP.

3 Fonoaudióloga do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo com especialização em Disfagia Orofaríngea pelo INCOR, diretora clínica da Vitae Fonoaudiologia Especializada.

 

 

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